Poderia.
Mas não vou. Pq me lembro claramente do dia que meu marido chegou 15 minutos atrasado do trabalho e encontrou nós 3 chorando: Tarsila pq queria mamar, Morôni pq queria colo e eu por não conseguir lidar com os dois. Tarsila tinha 12 dias de nascida e foi o dia mais difícil até hoje.
Meu puerpério do Morôni foi tranquilo. Tive o baby blues quando ele tinha 4 dias e meu leite desceu nesse mesmo dia. Chorei poucas vezes durante o puerpério. Precisei tomar decisões difíceis, mas não foi difícil.
Com 30 dias minha menstruação veio. Com 40 dias quebrei o resguardo. Tudo tranquilo. E fácil.
Aí veio minha pequena Tarsila. Como ela nasceu de noite, precisei ficar 3 noites no hospital. Na primeira noite eu era ocitocina pura. Nem dormi, apesar dela ter dormido bem. Queria conversar, namorar minha filha. Queria gritar pro mundo inteiro. Queria todos felizes junto comigo.
No dia seguinte, mais felicidade, meu príncipe conheceu a irmãzinha, tudo lindo e maravilhoso. Eu estava encantada e apaixonada.
Aí eu cheguei em casa.
Tive ajuda por 10 dias. Até retirar os pontos da cesárea. Depois desse tempo fomos eu e Deus.
Chorei todas as noites até ela completar um mês. Avaliei e reavaliei minha decisão de ter engravidado, pois eu sentia que estava privando meu filho de mim. Questionei com meu marido como ele permitiu q isso acontecesse. E chorei. Chorei por amar tanto a minha filha e "achar" q eu a estava renegando. Chorei por não ser duas. Por não poder me multiplicar, assim como meu amor multiplicou a partir daquele primeiro choro.
Achei que não fosse conseguir. Me culpei. Me julguei. Não me amei.
Forcei meu corpo praticamente no limite. Com 20 dias de cirurgia meu filho caiu da cadeira e eu obviamente o peguei no colo. Do chão. Me abaixei e levantei ele.
Com aproximadamente 25 dias, meu sangramento parou, pra retornar alguns dias depois, por ter me esforçado ao andar e pegar meu filho no colo, na rua.
Com 39 dias meu sangramento parou de vez e minha líbido ficou enterrada em algum lugar. Com 40 dias, quebrei o resguardo, não por mim, mas por ele. E só nos relacionamos novamente depois de duas semanas.
Nesses 4 meses de puerpério não foi fácil. A culpa me assolou diversas outras vezes. Eu ainda, apesar de já ter terminado o puerpério, não me encontrei como mulher.
Mas como mãe já :)
Amo esses dois seres lindos e celestiais que o Pai Celestial me enviou. Amo ter a oportunidade de ama-los. Amo ser mãe deles.
Existiram inúmeros outros problemas durante meu puerpério, que terminou na noite de natal, que foi quando a minha menstruação resolveu aparecer.
Mas hoje, vejo q é compensador. Vejo os dois, juntos e me da mais e mais certeza de que tomei a melhor decisão da minha vida: a de ser mãe de dois.
| O melhor presente que uma mãe pode dar a um filho É um irmão. |








